Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Carta aos pneus que se alojam na minha barriga

Queridos pneuzinhos,
De queridos vocês não têm absolutamente nada. Apesar de ter claro em minha mente que vocês só estão aí por culpa exclusiva da minha pessoa, gostaria de lembrá-los que vocês não pertencem a este corpinho aqui. Não mesmo!! Portanto, saiam já daí!
Ah! como eu queria que vocês me obedessessem... por causa disso, vou invadir a caixa de bombom que está dentro de meu armário! Estão ouvindo? Vou comer um chocolate kopenhagen agora! Delícia... acabei de colaborar para a manutenção de vocês... Saco!
Ontem passei uma hora dentro da piscina em minha aula de natação. Tudo para ver se acabo com vocês! Alguém aí pode me dizer por que tudo o que a gente come se aloja exatamente na região da barriga ou dos quadris? Este é meu caso. Usar uma calça jeans, cintura baixa e justinha é simplesmente impossível. Sentou ou pneus despencam! Aquela coisa apertando minha barriga... não dá! Simplesmente não dá!
Quero já um macaco e um step de preferência bem furado! Quem sabe assim aquilo que era cheio, esvazia por completo!
Estou até com medo do final de ano. Aquele monte de guloseimas e coisas engordativas - porque vocês sabem, tudo o que é bom engorda mesmo... o jeito é me manter firme nas braçadas de crown e costas, rezando para que meu fôlego não se esvaia no meio da piscina...
Ainda hei de vencê-los!

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Carta ao Papai Noel

Querido Papai Noel,
É chegada a hora do balanço de final de ano. É a partir desta análise que o senhor decidirá se eu fui ou não uma boa menina este ano. E me dará um presente. Um presente tão desejado que mudará a minha vida. Mas se eu não fui uma boa menina, vou entender e tentar fazer melhor no próximo ano. Eu prometo!
Gosto de fazer comparações... o que eu tinha no ano passado que eu não tenho hoje? E o contrário? O que eu tenho este ano que eu não tinha no ano passado? O que eu perdi? O que eu ganhei? Enfim, o que vou levar comigo de bom para 2007?
No ano passado tinha uma namorado que eu amava. Hoje tenho um ex namorado que não dá a mínima pra mim. Primeira lição: Nunca, mas nunca confie 100% em ninguém. Só em você mesma!
No ano passado eu tinha um tornozelo inteiro, com cartilagem e tudo... hoje tenho um tornozelo sem cartilagem mas com uma placa, seis pinos e um parafuso. Segunda lição: se estiver deprimida em casa, sentindo falta do ex, vá ao cinema ou escolha um passeio mais light. Não invente coisas radicais como fazer trilha em São Luis do Paraitinga usando um tenis de cano baixo! O resultado pode ser desastroso.
No ano passado eu dançava. Fazia balé contemporâneo e tinha um orgulho danado das minhas sapatilhas. Hoje eu nado. Penso até em competição e tenho um orgulho danado da minha touca de natação! Terceira lição: se você gosta muito de uma coisa, pode apostar que você é capaz de gostar ainda mais de outra com a mesma intensidade.
No ano passado eu planejava casar e ter filhos, sonhava em morar com o cara que eu amava... hoje sonho em aprender a ser feliz sozinha para depois pensar em ter alguém. Quarta lição: você tem que estar sempre em primeiro lugar. Nunca a outra pessoa!
No ano passado eu pesava cinco quilos a menos do que hoje, mas nem pensava em ter um blog. Hoje tenho um blog para me incentivar a perder 10 quilos. Quinta lição: está difícil emagrecer? Pode apostar que vai ficar pior com o passar dos anos...
Querido Papai Noel, sei que posso parecer louca mas eu não sou. Queria muito me sentir feliz e contente, dar saltos de alegria e acreditar que tudo, mas tudo mesmo vai melhorar. Queria muito readiquirir minha autoconfiança, minha auto estima, meu sorriso espontâneo... é só isso que eu queria de presente meu querido bom velhinho. O senhor acha que eu mereço?
Já coloquei meu sapatinho na janela. Só por precaução.
Bjs

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Carta a paciência

Querida paciência,
É um prazer tê-la comigo. Durante o tempo em que fiquei só, em casa, refletindo sobre a vida e me reenergenizando, não sabia mas também estava recarregando seu estoque em minha vida. Só você mesmo para me segurar em um dia de chuva em São Paulo. Só você mesmo para fazer eu não me estressar (muito) com o trânsito ocasionado por inundações, com motoqueiros "sem noção", com motoristas que não têm um bom convívio com você, Paciência.
Haja você em minha vida!
Ontem, dia do meu rodízio, saí mais cedo do trabalho para chegar em casa a tempo de não levar uma multa. Claro, Paciência, que São Pedro não teve nem um pouco de você para esperar e soltar o dilúvio um pouco mais tarde! E claro que eu não consegui atravessar a cidade em uma hora. Também não consegui ir a minha fisioterapia, a minha drenagem e a minha aula de natação! Tudo porque os amarelinhos, mesmo com a cidade embaixo d'água, não suspenderam o rodízio e continuaram multando os carros que não podiam circular no horário estipulado... e o que eles têm a ver com meus compromissos né? Não são eles que pagam as minhas mensalidades! Pelo contrário, eles só cobram e arrancam o dinheiro da minha carteira! Ah Paciência... você é uma Santa mesmo!
Decidi não xingar (muito), não gritar e não chorar dentro do meu carro parado, ensopado e calorento. Ao invés disso, parei no Cine Belas Artes (logo no início da Consolação). Assisti a dois filmes da Mostra Internacional, dei risada, esqueci dos percalços úmidos que me atropelaram nesta segunda-feira. Antes de chegar ao cine, no entanto, enfreitei uma calçada esburacada e cheia, veja bem eu disse cheia, de baratas mortas que devem ter subido junto com a água dos bueiros entupidos. Que nojo!
Saí do cinema às 21h30. Cheguei em casa às 22h, sem trânsito, sem stress e com R$ 26 a menos na minha carteira. Só espero que não receba a multa de rodízio em minha casa já que só consegui estacionar o carro 15 minutos depois do limite permitido pela CET! Aí Paciência, vou ter que escrever outra carta de desabafo para vc.
Bjs

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Carta a minha amiga Paula Mazulquim

Querida Paula,
Meu blog está mesmo cheio de teias de aranha. Não sei o que está acontecendo comigo pois ando meio preguiçosa ultimamente... Credo, preguiça é horrível! E você sabe muito bem o quanto esta palavrinha não faz parte do meu dicionário não é mesmo?
Vou aceitar o seu desafio e escrever aqui qual foi o meu mico mais memorável! Como você bem deve saber, eu sou a rainha dos micos. E analisando a situação, percebo que você estava comigo em muitos deles, não participando ativamente mas assistindo de fora. E claro, eles sempre acabavam em grandes gargalhadas!
Pois bem, vamos lá. Lembrei de um que aconteceu há muito tempo, ainda quando trabalhava em uma agência de comunicação fazendo assessoria de imprensa, vulgo Primeira Página, conhece? Estava eu na sala de imprensa de uma feira de negócios - se eu não me engano era a Fenit - entediada, cansada, louca para ir embora e encontrar o meu gatinho - um rapaz com quem eu estava "ficando" naquela época chamado Caio (ele era dono de uma frota de pedalinhos no Horto Florestal... nossa, onde estará o Caio atualmente?...), bom voltando. Estava eu aguardando a ligação do Caio (por que veja bem, ele disse que iria me ligar para combinarmos de nos ver...) quando o telefone tocou (o celular ainda era um objeto de consumo da elite aqui no Brasil). Prontamente eu atendi, esperando ouvir do outro lado da linha a voz do Caio. Vou reproduzir a conversa:
Leslie: "- Sala de Imprensa"
Desconhecido: "- Alô Leslie?"
Leslie (obviamente murmurando no telefone): "- Oi meu gatinho lindo! Que saudades! Você me ligou para saber se nós vamos nos encontrar né? Tô louca de vontade de te ver...)... e bla, bla, bla...
Desconhecido (depois de me ouvir durante dois minutos tecendo meus comentários apaixonados e cheios de diminutivos): "-Leslie, gostaria muito de ser esta pessoa porque estou vendo que realmente você está apaixonada, mas infelizmente sou o Marcio do Jornal do Brasil. Estou ligando porque gostaria de uma entrevista com o diretor da Swissair...".
Obviamente, não sabia onde enfiar minha cara! Marcio do JB? Como assim? Não conseguia parar de pensar na vergonha que eu estava passando naquele momento por causa da minha paixonite aguda pelo Caio! O pior é que eu teria que falar com o Marcio diversar vezes ainda, já que ele era jornalista e eu... assessora de imprensa! Definitivamente, este mico foi tão grande que eu lembro dele até hoje!
E hoje em dia, onde estão os personagens do mico?
O Caio? Bom, o Caio não me ligou naquele dia e nem nos outros que se seguiram. Sumiu do mapa! Me deixou sozinha com toda a minha vergonha.
O Marcio? Ficou amigo de uma amiga minha. Soube que ele contou para ela sobre o mico que eu paguei. Excelente!
Eu? Saí da Primeira Página, morei em Toronto, voltei para o Brasil... Hoje trabalho em uma multinacional. Estou sem namorado, sem ficante, mas prospectando... A possibilidade do mico de 10 anos atrás de repetir? Quem me conhece sabe: 100%.
Amiga Paula, foi um prazer! Para quem não te conhece, vou resumir em um parágrafo nossa história:
Amiga de longa data, Paula trabalhou comigo na Primeira Página durante três anos. Saí antes dela para morar em Toronto. Quando voltei ao Brasil seis meses depois, foi a vez da Paula sair da PP para morar na Europa. Por lá, ficou durante quatro meses se eu não me engano. Quando voltou, eu já estava trabalhando na J&J. Sem emprego, mas com muito gás, Paula era a profissional que precisávamos para trabalhar a assessoria de imprensa de uma marca francesa de cosméticos que acabava de entrar no portifólio da empresa. Lá estávamos eu e Paula trabalhando juntas novamente! Em julho deste ano, minha amiga saiu da J&J e foi junto com seu amado marido Maurício (que virou meu amigo assim como ela) morar por um período indeterminado em Toronto. Sim, eles conseguiram o visto de imigração e hoje estão recomeçando suas vidas nas terras gélidas do Canadá (que até hoje considero como minha segunda casa). Como mantenho contato com a Paula? Através de seu blog: www.eradogelo-paula.blogspot.com . Foi lá que ela postou este desafio para mim. Agora deixo o desafio para as seguintes pessoas: Dani Zuim e Cristina (www.vidaboaevidasaudavel.zip.net ). E aí meninas? Têm algum mico que supere este meu?
Bjs

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Carta a Fernanda Young

Querida Fernanda Young,
Não te conheço pessoalmente, mas acompanho todos os meses uma sessão de sua autoria na revista Claudia. Aquela na qual você escreve cartas para as coisas ou pessoas que estão te incomodando ou não.
Sempre gostei de escrever cartas. Consigo me expressar melhor usando as letras do que a fala propriamente dita. Devo dizer que às vezes até me excedo um pouquinho Por exemplo, quando meu namoro acabou há quase 10 meses, escrevi muitas cartas para o meu ex dizendo tudo o que eu queria ter falado no dia em que terminamos e que não falei simplesmente porque não conseguia parar de chorar. Às vezes odeio ser tão sentimentalóide. Acho que deveria ter nascido sob outro signo que não o de Peixes!!! Argh!!!!
Estou escrevendo esta carta para te pedir licença e usar a sua idéia para conversar com tudo aquilo que me faz feliz e triste nesta minha luta contra a balança. Escreverei cartas para os pneus da minha barriga que insistem em permacecer, para minha ansiedade que às vezes me desvia da dieta, para a bicicleta ergométrica onde venho passando 40 minutos por semana (e não por dia, como deveria realmente ser!). Acho que vou adorar este método de desabafo!
Espero que você não fique brava comigo. Esta carta é para deixar registrado que tudo partiu de você. Estou "copiando" a idéia de sua coluna e readaptando-a para o meu blog. Acho que assim vou encarar melhor e com mais humor esta minha saga.
Atenciosamente,
Uma fã de sua coluna

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

Quando um motoqueiro atravessou o meu caminho

Buda e meditação. Foram as duas coisas nas quais eu pensei hoje pela manhã quando meu carro, parado no caos da Radial Leste, foi atropelado por um motoqueiro endiabrado. Para quem não conhece a Radial Leste em horário de pico aqui vai um resuminho: três faixas estreitas que abrigam filas de ínúmeros carros que se movimentam lentamente como cágados. Agora, alguém pode me explicar como os motoqueiros conseguem andar em alta velocidade em um espaço micro existente entre um carro e outro? Não dá para explicar! Será que eles conhecem uma lei da física bem antiga que diz: "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço" ? Acho que não. Que pergunta a minha...
Esta falta de noção me rendeu um retrovisor torto e um capô amassado (resultado de mais uma falta de noção do motoqueiro que, para não cair depois de ter levado o meu retrovisor junto, jogou todo o seu peso em sua mão apoiando na lataria do meu carro). Me senti impotente, com raiva e revoltada com a estupidez humana. No carro, só me restou ter uma crise de taquicardia, gritei sozinha e, logo depois, parei em um posto para tomar uma água e me acalmar.
Comecei a pensar o que aconteceria se eu tivesse xingado a mãe do infeliz. Talvez eu não estivesse aqui para contar a história... talvez não. É assim que os assassinatos estúpidos acontecem...

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Segunda-feira magra

Sim. Dois quilos mais magra, especificamente. Este era meu objetivo no último feriadão, quando eu e minha amiga Zuina decidimos ir para o Spa Tombo, mais conhecido como meu apartamento. E não é que deu certo? Pelo menos para a Zuina, que conseguiu perder seus quilinhos seguindo exatamente a dieta de 1200 calorias. Eu ainda não me pesei, mas acho difícil eu ter alcançado. Afinal, apesar de ter também seguido o mesmo cardápio, não pude fazer minha ultra caminhada, por motivos óbvios.
Ao invés disso, enquanto Zuina se banhava em suor caminhando do Tombo a Pitangueiras em passos rápidos, eu ficava em casa curtindo a sexta, a sétima e a oitava temporada de Friends. Quase me matei de rir. Vocês devem achar que estou meio atrasada com relação a séries de TV... a resposta é sim, estou. Lembro-me que quando morava no Canadá, assistia toda semana em aula a um episódio da série com o objetivo de treinar o meu "listening". A última temporada acabou em 2003 ou 2004 e só agora, graças ao advento do DVD, consegui acompanhar certinho.
Mas Leslie, e os paqueras? Vocês ficaram o tempo todo dentro do apartamento assistindo aos episódios antigos de Friends? Veja bem, não... bom, quase... curtimos um sambinha em um dos quiosques da praia, saímos para jantar em um restaurante japonês, fomos tomar café no Franz... até rolou umas paquerinhas vai, mas nada de concreto. Estou tão tranqüila com relação a isso que dá até medo...
Por falar em medo, nosso feriadão também foi marcado por fatos inusitados. A começar pela viagem São Paulo / Guarujá, quando um policial (como era mesmo o nome daquele seriado antigo cujo personagem principal era um policial? Ships ou chips... alguma coisa assim) decidiu me parar para pedir documentos. Nunca em 10 anos de carteira fui abordada por um policial. Quando ele fez o sinal, já senti um frio na espinha. Encostei e minha amiga Zuina perguntou se estava tudo certo com meus documentos. Puxa, graças a Deus estava. Entreguei os documentos ao "cop" e esperei. Que sensação mais engraçada... ele levou tudo para dentro da central e ficou um bom tempo por lá. E eu no carro suando frio... Mas tudo deu certo e eu pude seguir minha viagem aliviada e serelepe. Já pensou se eu tivesse esquecido o documento na outra bolsa?
Mas o pior ainda estava por vir. Eram duas e meia da madrugada de nossa primeira noite de Guarujá quando acordei assustada com um barulho vindo do apartamento de cima. Parecia que alguém tinha caído da cama... como não tenho um relacionamento muito bom com vizinhos de cima por causa do barulho, já acordei resmungando... depois tive que pedir perdão e rezar já que logo o barulho foi esclarecido. Sim, uma pessoa havia caído no chão. Mas não foi uma caidinha qualquer, foi sua última e derradeira caída. Uma senhora de 70 anos sofrera um infarto fulminante e morrera, naquele exato momento em que eu acordara por causa do barulho de seu corpo caindo desmaiado... nem preciso dizer que depois disso não consegui mais pregar o olho né? Ouvir o desespero da filha... ainda estou com aquele momento na cabeça. Só me restou fazer uma oração pela alma da senhora que eu nem conhecia mas passou a fazer parte da minha história. Foi a primeira vez que "ouvi" a morte tão de perto...
Minha amiga Zuina tem mais para contar. Certamente ela o fará em seu comentário habitual. Tirando estes pequenos acontecimentos, meu feriadão foi ótimo. Quem não gosta de quatro dias de folga não é mesmo?
Bjs a todos